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riscos_e_rabiscos

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O Que É Que O Meu Vizinho Fez Pela Selecção...

O meu vizinho do lado, desde que surgiu a publicidade na televisão, a perguntar o que é que nós faríamos pela selecção que tem andado em bolandas.

 

Cada vez que o spot publicitário passa na TV, ouvimos o nosso vizinho dizer à mulher em altos berros “ ó M. tu é que me podias ajudar a ter uma ideia… tou farto de pensar mas não me sai nada.. Ó Jesus, ajuda-me!”

Eu e o N. olhamos um para o outro e, telepaticamente pensamos o mesmo: o gajo pirou de vez.

 

Um dia destes, encontrou-me a sair de casa e disse-me “ó vezinha, você é que me podia ajudar…”. Eu achei aquilo esquisito mas perguntei-lhe se estava com algum problema.

À medida que íamos descendo as escadas ele confidenciava-me que queria participar, com um vídeo, na tal publicidade de “o que faríamos pela selecção”. Disse-me que estava farto de pensar mas não lhe ocorria nada, em princípio tinha pensado deixar o ar condicionado um mês inteiro ligado sem o desligar mas que se lembrou dos 300 euros de luz pra pagar, que também já tinha pedido à mulher para o ajudar mas ela dizia que não tinha jeito para essas coisas. Eu vi-o tão desanimado que lhe disse que ia pensar nalguma coisa e depois lhe diria.

 

Tenho muita pena dele mas tenho mais coisas em que pensar e, diga-se de passagem, nunca mais me lembrei de tão estranho pedido.

Passados uns dias recebi uma sms dele que dizia “vezinha, não se incumode mais porque já estive uma ideia po tal vidio” (assim tal e qual). Por cortesia respondi-lhe a dizer que também estava farta de pensar (o tanas!) mas que ainda não me tinha lembrado de nada e que depois queria ver o tal vídeo. O que eu fui dizer! Adiante!

 

Encontrei-o novamente, vindo da taberna, e diz-me ele todo contente “ai vezinha que o meu vídeo vai ser um chô, até aposto que vai ganhar… e de certeza que vai ser o mais visto no iutubi”

“A sério? Então deve ter tido uma ideia genial…!” respondi-lhe sorrindo. O homem abanou-me a cabeça, soltou uma gargalhada e disse “depois mostro”.

 

No fim-de-semana, vem a minha vizinha bater-me à porta. Cumprimentos para aqui e para ali e a seguir pergunta-me se eu sabia da tal ideia do marido. É claro que eu não sabia pois ele não me tinha contado. A minha vizinha pediu-me para eu falar com ele a ver se o demovia da tal ideia que ela não me contava porque até tinha vergonha. Eh lá! Mas afinal que iria ele fazer?! Eu lá lhe disse que quando encontrasse o marido, dava-lhe uma palavrinha. Já viram a minha sorte?

 

Estava eu à janela a sacudir uns tapetes, e oiço o meu vizinho perguntar-me “atão vai ficar na janela um bocadinho?” e eu disse que sim até acabar de sacudir os pós. “atão não saia daí que eu vou mostra-lhe o que vou fazer pa publicidade… vai já ver a ideia que tive. Até tá aqui o Meireles – que olha para cima e me acena - pa fazer o filme”.

 

Fiquei debruçada na curiosa à espera do grande espectáculo e da grande ideia que o meu vizinho tinha tido.

Quando ele sai debaixo da varanda e o vejo montado numa mota a "tocar" uma vuvuzela, até me deram três coisinhas más. Eu chamei o N. entre espanto e surpresa. O N. chegou-se ao pé de mim a perguntar quem era a merd@ do puto que andava outra vez com a vuvuzela nas beiças. Eu só respondi: “ não é um puto, é o vizinho do lado… e a vuvuzela não está nas beiças, está… “

 

A foto diz tudo. Agora imaginem o vídeo com som. É que a vuvuzela tocava mesmo. E com força. Grande feijoada!

A História dos Mortos

 

Quando a minha mãe era pequena e ainda vivia Além-Tejo, morreu um rapaz na terra. Era costume lá na terra, atarem as mãos dos mortos com uma fita, em posição de oração. Desconheço a razão. Talvez para chegarem mais rapidamente junto do criador, talvez para expiar os pecados, talvez… mas isto sou só eu a especular.
 
Estava a minha mãe e os restantes habitantes da aldeia a velar o morto quando, subitamente, a fita se desata e caiem as mãos do morto. Isto causou tal comoção e impressionou sobremaneira a minha mãe, que a partir desse dia ela nunca mais foi capaz de lidar com a visão ou a ideia de um morto.
 
Não vai a funerais a não ser àqueles que nunca poderá faltar, dos entes mais queridos. De resto, se ela pressentir ou souber da presença de um morto, fica aflita e a imaginar mil e uma maneiras de contornar a situação, de não ter de passar por ela.
 
Anteontem morreu um vizinho velhote que morava no piso abaixo do meu. Muita idade, cancro nos pulmões e muita solidão. A mulher de vez em quando lembra-se e dá umas choradinhas, género carpideira, pois quando ele precisava, ela andava metida em bailes, excursões, cantos corais e ranchos folclóricos. O velho esteve 24 horas à espera que viesse o delegado de saúde. Pobre homem que já devia ter descansado há mais tempo.
 
Para a minha mãe isto foi um problema valente. Para sair e entrar em casa, desenvolveu um método quase cirúrgico com receio que o morto esteja a ser levado de casa e ela se cruze com ele ao regressar.
 
Singularidades de uma mãe que é tesa e teimosa que nem uma mula, determinada e com a aceleração no máximo (turbo mesmo…) mas quando toca a estes assuntos , regressa ao seu estado de menina.

 

 

Até Parecia Mentira


 

 

Finalmente passei um fim-de-semana bem calmo, ao contrário do anterior. Já há muito tempo que não sentia esta tranquilidade.

 

E esta tranquilidade deveu-se nada mais, nada menos, à ausência do meu vizinho do lado. Do lado dele vinha apenas… o silêncio! E de vez em quando um miado de solidão.

 

O fulano anda cada vez mais destrambelhado. Acho que lhe está a fazer falta a presença feminina. A grande questão é: onde está a mulher dele? Desapareceu sem deixar rasto. Será que foi abduzida? Será que o abandonou? Está de férias (muuuito prolongadas) com amigas? Está a trabalhar fora do país? E porque não vai ele ter com ela aos fins-de-semana? E porque não vem ela a casa no fim-de-semana? Muuuito esquisito!

 

Mas como eu disse acima, a falta da presença feminina está a fazer tilt no único neurónio que o fulano tem. Diria mesmo que tem o system down!

A solidão fá-lo meter-se nos copos ou fumar umas ganzas (ou os dois) e depois perde a noção da realidade. O fim-de-semana passado tinha música em altos berros até às 3 da manhã.

 

Agora perguntam vocês: e não lhe foram lá bater à porta? E eu respondo: Não!!!

Esperem, não tirem já conclusões precipitadas…

Que fariam vocês se o meu vizinho fosse vosso, se já lhe tivessem pedido de joelhos para não pôr a música tão alta (ainda por cima o subwoofer está todo roufenho), se lhe tivessem mostrado a vossa própria casa quando ele tem a música em altos berros, tendo ele reconhecido, sempre, que nós tínhamos razão?

 

Fariam o mesmo que eu fiz: chamei a polícia!!! E aproveitei a onda e mandei uma sms ao administrador a avisar que se isto continuasse, iria solicitar uma reunião extraordinária.

Mas parece que está tudo mancomunado com o zombie! O zombie não liga pevas ao que lhe dizemos e quanto à polícia… lol!... nem se dignaram a aparecer apesar das suas palavras a tentar convencer-nos que iam acabar com aquilo para o resto da vida.

O administrador, esse então, nem se deu ao trabalho de responder à minha sms. E eu até sei porquê… é que são muito “amiguinhos”…!

 

 

Só vos digo que este silêncio nos soube que nem ginjas! Aquele som do silêncio… a calmaria da porta do vizinho… a solidão do último andar… Que maravilha! 

 

Antídoto Precisa-se.

 

 

Precisa-se urgentemente de antídoto para vizinhos invasores de espaços alheios, altamente irritativos e sob o efeito de estupefacientes.

 

Uma das coisas mais insuportáveis que existem são pessoas que não percebem onde termina a sua liberdade e começa a dos outros. É uma questão de limites e respeito.

 

Quando um gajo se encontra sozinho em casa – onde anda a sua gaja que desapareceu há já algum tempo? – durante um fim-de-semana prolongado e não tem nada para fazer, é claro que só pode dar asneira.

Ora vejamos: é sobejamente sabido que um gajo sem uma gaja anda sempre à deriva (não reclamem pois sabem que é verdade!). Como tal, só faz disparates. É o que se passa neste caso concreto.

 

Comecemos pelo princípio. Gajo que está sozinho e desocupado, ou não se dá por ele ou então dá-se até demais.

Acredito que para enxotar a solidão, o gajo em causa, vá buscar companhia aos “cigarrinhos do riso”, aos fuminhos.

Mas depois fazer figuras tristes…

 

Num dos dias do fim-de-semana, decidiu dar uma volta ao quarteirão para mudar de ares e refrescar as ideias.

Foi uma alegria vê-lo subir a rua a “desviar-se” de obstáculos imaginários (que é como quem diz aos ziguezagues) e a contemplar maravilhado o azul do céu. Só não sei se acertou com a porta do prédio. Não o ouvi entrar…

 

No dia seguinte é que foi pior. O entusiasmo da moka foi tanto, que colocou a música mais alta do que se estivéssemos na discoteca. Uma coisa completamente surreal. Meus ricos tímpanos, meu rico cérebro!

Para completar o cenário, começou a cantar (eu diria zurrar) para nos mostrar os seus dotes vocais que são perfeitamente dispensáveis.

 

Não sei onde vai buscar a “energia”. Para terem uma ideia eu poderia caracterizar o gajo comparando-o a uma folha de papel: branco e fino, que se sustém de pé devido ao vento que sopra contrário.

 

O material responsável pela moka deve ser daqueles mesmo bom. E nós a ter que gramar isto, sem alternativa… Já devemos ter um belo quinhão no céu!